10 fatos históricos que você (provavelmente) não sabia sobre cerveja

Uma das responsáveis pela origem da nossa civilização, pelo surgimento da escrita e por tecnologias que mudaram a nossa maneira de viver. Possivelmente presente em histórias bíblicas e fonte de alimento para monges medievais. Tão fascinante que sua má produção podia levar pessoas à morte. E feita com os mais diversos tipos de ingredientes. Descubra porque a cerveja é muito mais do que aquela bebida que você toma ao final de um dia de trabalho.

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Fundadora da civilização

A história da cerveja caminha junto com a própria história da humanidade. A bebida é produzida há mais de dez mil anos e seus primeiros registros coincidem com a época que os homens deixaram de ser nômades para fixar-se em lugares onde pudessem plantar os grãos dos quais se alimentavam.

A versão recorrente é que fizeram isso para poderem transformar esses grãos em pães, mas há linhas de pesquisas que apontam que, na verdade, nossos antepassados estavam preocupados em garantir a produção da cerveja já naquela época, sendo ela a responsável pelo começo da sociedade moderna, como indica o professor de antropologia Solomon Katz, da Universidade da Pensilvânia.

 

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Surgimento da escrita

A escrita também surgiu, dentre outras coisas, por conta da cerveja. Os primeiros registros de pictogramas – feitos pelos sumérios e encontrados em peças de barro com mais de 5 mil anos – trazem anotações de receitas da bebida. Especialista em textos antigos da Universidade da Pensilvânia, o pesquisador Stephen Tinney aponta que a escrita cuneiforme apresenta mais de 160 ícones cujos significado de alguma forma estão ligados à cerveja.

 

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Pena de morte aos maus cervejeiros

Já ouviu falar do Código de Hamurabi, conjuntos de leis mesopotâmicas criado cerca de 1700 a.C.? Pois, dentre outras coisas, ele previa punições cabais para quem produzisse cerveja de má qualidade. Como na época o líquido era visto como uma forma de se aproximar dos Deuses e os grãos não estavam disponíveis em abundância para serem desperdiçados com bebida ruim, aquele que fizesse uma cerveja aquém das expectativas era condenado à morte por afogamento em sua própria produção.

 

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Jesus transformou água em cerveja

É famosa a passagem da Bíblia na qual Jesus Cristo transforma água em vinho. Contudo, segundo pesquisadores da Universidade de Louisiana, a história não foi exatamente essa. Eles apontam que na região que Jesus viveu se cultivavam grãos, não uvas, e que o consumo de cerveja era algo comum por lá, diferente do vinho. Não bastasse, nas versões em aramaico do texto o milagre se refere à transformação da água em uma “bebida forte”. A principal tese para que as Bíblias hoje tragam a versão relacionada ao vinho é que os romanos, ao se apropriarem da trajetória de Jesus, teriam trocado a provável cerveja (bebida relacionada aos bárbaros) pelo seu habitual vinho, em uma espécie de apropriação cultural da história.

 

Ricardo Marchesan/UOL
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Uma longa história anterior ao lúpulo

Todo mundo sabe que a cerveja é feita pelo menos de água, malte, lúpulo (foto) e levedura. No entanto, nem sempre essa foi a composição básica da bebida. Responsável dar amargor, aromas e sabores à fermentada, há registros de que o lúpulo só começou a ser usado nas produções cervejeiras a partir do começo dos anos 1.000 principalmente por ser um conservante natural. Durante muito tempo foi comum a utilização de ervas e especiarias para “temperar” a bebida, bem como o gruit, uma mistura de diversas plantas como murta e alecrim.

 

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O pão líquido dos monges

A cerveja teve uma grande ascensão ao longo da Idade Média, quando passou a ser produzida principalmente por monges em mosteiros. Mais do que servir aos peregrinos que costumavam se hospedar nas igrejas, a bebida, fonte de muitos nutrientes – não por acaso tratada como pão líquido -, servia de alimento para os religiosos durante os períodos de jejum.

 

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Antes das tampinhas, garrafas tinham rolhas amarradas com barbantes

Hoje quase todas cervejas que tomamos em casa são armazenadas em latinhas ou garrafas fechadas com tampas, mas essa nem sempre foi a regra. Quando a bebida começou a se consolidar no país, ao longo da primeira metade do século 19, os fabricantes fechavam suas garrafas com rolhas que eram amarradas com barbantes para que a pressão existente dentro do objeto – onde acontecia uma segunda fermentação e, consequentemente, a carbonatação do líquido – não desarrolhasse a garrafa.

 

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Pasteur queria esterilizar a cerveja, não o leite

Boa parte da medicina moderna está fundamentada na microbiologia, algo que só começou a ser pesquisado quando, em 1864, Louis Pasteur estudava a cerveja e descobriu que micro-organismos não só habitavam a bebida, mas eram os responsáveis por deteriorá-la. É para resolver esse sério problema que cria a pasteurização (hoje amplamente vinculada ao leite). A partir disso que cientistas se debruçaram sobre a possibilidade de seres humanos também ficarem doentes por conta desses indesejados intrusos.

 

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Tem geladeira em casa? Agradeça à cerveja!

Durante muito tempo a produção de cerveja foi refém da variação de temperatura ao longo do ano. Para sanar esse problema, em 1894 o alemão Carl Von Linde, a pedido da Guinness, começou a desenvolver um sistema de refrigeração artificial. Então, “se hoje temos geladeiras e freezers em casa, agradeçamos à cerveja”, como escreve Maurício Beltramelli no livro “Cervejas, Brejas & Birras” (ed. LeYa).

 

Divulgação
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Além da cevada

Como já dissemos, a cerveja hoje costuma ser composta ao menos de malte de cevada, água, lúpulo e levedura. No entanto, em alguns lugares do mundo existem versões da bebida que historicamente levam outros grãos como base em suas composições. No Peru e na Bolívia há a chicha, feita com milho mastigado, no Japão era comum que usassem arroz, na Rússia, centeio, e na China, trigo ou sorgo – este também usado em alguns países africanos.

 

Dany Lederman
Fonte: Portal UOL
27/11/15
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Published in: on 27 de novembro de 2015 at 13:45  Deixe um comentário  

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